6.6.12

Reencontros, alguns anos mais tarde...

Em dois anos, este blogue cumpriu a sua missão: divulgou os trabalhos de uma turma (minha) que a seguir debandou para o 3º Ciclo... 
Foi tempo de despedidas. 
Quanto ao blogue, aqui ficou suspenso, aparentemente encerrado. Contudo, está mais vivo do que parece!...
Há tempos, reencontrei a Tatiana, no metro. Que alegria!...
Ontem, reencontrei a Ângela, à porta da escola Anselmo de Andrade. Que entusiasmo!...
Trocaram-se abraços e palavras... 
Ambas afirmaram:
- De vez em quando, ainda vou ver o blogue!...
Um blogue que, mesmo encerrado, é ainda um espaço de afetos... Que boa surpresa!
Se quiserem saber de mim, visitem-me: http://manuela-quartocrescente.blogspot.pt/ 
Até um dia!...
Felicidades!

31.1.09

Os porquês da criação deste blogue...

Ensinar é uma missão complicada... Porque não basta ensinar: é preciso que cada aluno queira aprender!...
Ora, em Português, esse objectivo pode tornar-se particularmente difícil de alcançar!... Porque temos de levar cada criança a empenhar-se em ler e escrever, sobretudo se revela grandes dificuldades, sabendo nós que, portanto, o seu esforço terá de ser muito maior... e a sua vontade será, à partida, mais difícil de mobilizar...
Há que encontrar soluções para motivar estes alunos... E, do mesmo modo, há que encontrar formas de não deixar desmotivar todos os outros que têm essas competências já mais desenvolvidas e que devem ir mais além...
Percebe-se, pois, que gerir o trabalho numa sala de aula - onde estão duas dezenas e tal de jovens, onde cada um é tão diferente de todos os outros, onde as necessidades e interesses são muito variados, onde as atitudes face à aprendizagem são tão diversas... - é mesmo uma difícil missão...
Mas também não pode ser considerada “missão impossível”... e muito menos fazer-nos desistir! É, isso sim, um desafio.
É assim que, ao longo dos anos, tenho procurado traçar projectos, com os meus alunos, que os mobilizem para trabalhar: fundamentalmente, ler e escrever, tentando dar visibilidade às suas produções...

Fazer jornais impressos tem sido uma constante... Eles pesquisam e divulgam notícias, fazem entrevistas, reportagens, seleccionam ou criam passatempos, falam de filmes ou livros... A qualidade do trabalho varia com os “jornalistas” de cada turma, em cada ano... Mas o objectivo cumpre-se, a cada edição...
Há dificuldades... e insucessos...
(Haveria sempre!...)

Este ano resolvi fugir às dificuldades da impressão, da venda do jornal, da contabilidade... Perdemos assim uma boa oportunidade de doar a verba conseguida a uma instituição de solidariedade social ou de a destinar a uma visita de estudo... Em compensação, preservamos o Ambiente, poupando papel...
Mas, sobretudo, procurei criar um novo projecto...
Estamos na era da blogosfera. A Andreia (uma das alunas da turma 5º7ª), com apenas dez anos, já criara o seu próprio blogue...
Assim me surgiu a ideia de criar também um blogue para a turma. Um sonho..., uma “Nuvem-alta”...
Eu sirvo-me regularmente dos computadores, mas... não sou particularmente hábil no seu uso. Nunca me tinha aventurado nesta área... Quis experimentar. Para além de contar com a Andreia, socorri-me da boa vontade e apoio de uma colega jovem, de passagem pela escola... numa substituição... a Elsa Neves.

Esta iniciativa foi acarinhada pelo meu 5º7ª...
...uma turma complicada... com meninos dos 9 aos 15 anos... alguns que ainda soletram... outros que dão, à vontade, três erros por palavra...
Os trabalhos publicados são (e serão sempre) todos da turma.
Até agora, uns foram feitos em casa. (Cada aluno, em Língua Portuguesa, tem de respeitar um Contrato de Trabalho Individual e deve apresentar, regularmente, um portfolio, o que facilita a selecção de trabalhos, quer pelo professor quer pelos colegas. Mas isto ainda não foi bem assimilado... e os portfolios começam a aparecer, paulatinamente...)
A maioria dos trabalhos foi feita em Oficina da Palavra: uma área não curricular, que é oferta de escola, leccionada pelo professor de Língua Portuguesa de cada turma. (Apenas 45m por semana, metade da turma em cada “semestre”...)
Um dos trabalhos editados foi escrito em Estudo Acompanhado... que eu também lecciono.
No futuro, poderemos divulgar trabalhos feitos em outras disciplinas ou áreas disciplinares. Porque agora o nosso blogue já tomou forma e foi divulgado ao Conselho de Turma.
À sexta-feira, a seguir a Oficina da Palavra, aí vamos nós para a biblioteca escolar, publicar os trabalhos escolhidos... Geralmente, vão os autores, todos orgulhosos, e um pequeno grupo de colaboradores que se está a tornar habitual. A minha presença é garantida: serve para coordenar e dar apoio.

Fazendo um balanço desta curta experiência, é inegável que tem sido grande o entusiasmo de quem vê um trabalho seu escolhido para ser publicado... na Internet! E também é grande o entusiasmo de quem vai à biblioteca colaborar na sua edição, na escolha de uma imagem para esse texto... e que vê, em primeiro lugar, o blogue a crescer... com “novo visual”...
Incluindo eu...
Não é o “ovo de Colombo”...
Não resolverá todos os problemas desta turma... nem todos os meus problemas com esta mesma turma... Mas tenho gostado muito desta nossa experiência!

Acrescento que outros blogues estão a ser criados na minha escola. Indo à nossa página, ao
http://www.eb23-cmdt-conceicao-silva.rcts.pt/, encontra-se uma secção, “A Palavra aos Alunos”, onde é dada voz aos jovens... Daí, há uma ligação para o blogue do 5º7ª... e para outras iniciativas. Nesta tarefa da construção da página WEB, e da nossa Sala de Estudo Virtual, há que destacar a colaboração da colega Isabel Ferreira.
Alunos... e professores... não param...
E, como dizia António Gedeão, “o sonho comanda a vida”...

Maria Manuela Martins Caeiro
Professora de Língua Portuguesa do 2º Ciclo
E.B 2.3 Comandante Conceição e Silva
Cova da Piedade/Almada
Dezembro/2006

PS. Este texto escrevi-o eu, algum tempo depois de ter criado este blogue com o meu 5º 7ª.
Acompanhei esta turma no 5º e 6º anos e aqui se encontram reunidos os trabalhos mais significativos que fizemos em conjunto (entre 2006-2008).
Não vou pôr fim a este blogue nem prossegui-lo. Foi um ciclo que chegou ao fim. Mas que talvez ainda possa ser de utilidade para alguém, algures, nalguma escola...

7.11.08

Um vídeo... e um livro para viajar...

...uma voz celta para escutar: Enya...

Com um abraço da professora de Português, desejando-vos muito sucesso nas vossas novas escolas!...

20.6.08

Mais um ano para recordar...


Esta escola pode não ser a melhor, mas conheci muitos amigos e os professores foram maravilhosos.
Para estes, um grande beijo e obrigada por tudo!
Para mim, foi em cheio este 2º Ciclo!
Adeus, Escola!

Rafaela


Acabou mais um ano
que vou recordar.
Vamos de férias
Na escola não vamos pensar.

Daniel, Guilherme, Joviano e Rúben


Mais um ano se passou
Connosco levamos recordações
De amigos,
Professores,
E muitas emoções.

Esperamos ter passado todos de ano
Uns com sucesso
E outros, assim, assim...

Nunca mais vos esqueceremos,
Na nossa memória ficaram,
Adeus, amigos, até qualquer dia!

Vamos de férias. Até que enfim!...

Ana Catarina, Ana Cláudia, Andreia e Ruth


Adeus, linda escola,
que a gente já vai!
É sinal que crescemos
E aprendemos.

Esta nossa escola
vamos recordar
Sempre..., sempre!

Kamilla, Tatiana, Sara

Turma, adoro-vos!
Sempre vos amei...
Nunca vos vou esquecer
Convosco sempre me preocupei.
E houve motivos...
Isso, eu sei!!!

Ângela

Nós iremos recordar para sempre as coisas que vivemos aqui: os amigos que conhecemos, as avenças e as desavenças... Também assim aprendemos!

Raquel, Joana, Bruno e Nazar


Acabou mais um ano que vou recordar... e vai dar que pensar.
Que bom ter acabado o ano.
As férias chegaram!
Agora é só passear e "curtir"...
Vai ser sempre "a abrir"...

Jéssika Coelho

E eu...
Gostei muito de todos...
Quis o melhor para cada um.
Fizemos o que nos foi possível...
No tempo de que dispusemos, com a nossa "equipa"...

À despedida, desejo que o Futuro vos sorria...
Façam boas escolhas!
Lutem pelo que é melhor para vós! A palavra de ordem é: persistir!
Sejam felizes!
(...Nós sentimo-nos felizes... quando nos esforçamos por conseguir algo - ...difícil... - e o alcançamos!...)
Boas Férias!
Um abraço,

Manuela Caeiro

18.6.08

Uma história, muitas histórias...

Este é um livro de contos, não propriamente para crianças e jovens, mas nós lemos e gostámos muito da 1ª história, de João Aguiar.

Imaginem que um rapaz de 15 anos reprova e vai, de castigo, para "o fim do mundo", para casa de um primo idoso...

Os pais não o deixam levar iPod, nem playstation... e, ainda por cima, não leva o telemóvel!

O telefone fixo não deve ser utilizado, a não ser para uma emergência...

Mais: nessa casa não há televisão!

Pior: não há computador!...

Vá lá..., há muitos discos; o pior é que só o primo gosta deles!...

Que catástrofe!...

...
Tivemos de imaginar como foi possível o Gonçalo suportar este castigo! Pobre rapaz!...

E pobres de nós!... :-)


O castigo do Gonçalo

A Ingrid Medeiros, a Jaqueline Matos e a Jéssica Teixeira puseram o Gonçalo a relatar as suas memórias (tal como João Aguiar):

«A minha rotina era desastrosa: acordar cedo, antes do sol nascer, ir tirar leite da vaca, banhar, secar e perfumar os cavalos, dar de comer aos animais, e, ao fim do dia, escutar as histórias pré-históricas do primo Jeremias.
Pensei muitas vezes em fugir dali a cavalo e nunca mais voltar, mas eu caía de cansado antes de conseguir planear qualquer coisa.
Foram as piores férias da minha vida!

Ao fim de um mês, que mais me pareceu um ano, vi o carro dos meus pais a entrar na quinta e pareceu-me ver a equipa de salvação, pronta para resgate!
Nunca mais chumbei! Só de ouvir falar naquela seca, pego logo nos livros e trato de passar de ano… »


A Ana Catarina, a Ana Cláudia e a Ruth Pinto imaginaram:

«Ora o Gonçalo ia determinado a arranjar algo para ocupar os seus tempos livres.

Durante o primeiro dia, ele pensou, pensou, pensou… e chegou a uma conclusão: o melhor era ajudar o primo na quinta. Esta ideia não lhe agradava muito, mas não havia mais nada para fazer.

No dia seguinte, de manhã, vestiu um fato de treino velho e anunciou:

- Primo Jeremias, tomei uma decisão. Vou ajudá-lo na quinta…

- Tomaste a decisão mais acertada – respondeu-lhe o primo, satisfeito.

Logo de seguida, começou o trabalho… e o Gonçalo descobriu que afinal se divertia muito!

E assim foi: passou o tempo todo do seu castigo muito entretido, a trabalhar na quinta – sem telemóveis nem rádio nem televisão…

Chegou, por fim, à conclusão que estas tecnologias dos tempos modernos não são essenciais ao ser humano, por muito indispensáveis que possam parecer…»


A Rafaela, a Joana e o Nazar contaram:


«O primo Jeremias acordava todos os dias muito cedo e ia para o campo. Entre outras coisas, tinha uma vinha para tratar; e ele estimava e apreciava muito o seu vinho! Aliás, sempre que os pais do Gonçalo lá iam, levavam umas garrafinhas da melhor colheita.

O primo Jeremias combinou com o Gonçalo:

-Amanhã, como é costume, vou acordar às cinco horas para ir tratar das galinhas, ovelhas e porcos. Depois vou para a vinha. Logo de seguida, vou para a horta tratar dos legumes. Se tu quiseres, podes ir passear até à cidade, mas vais ter de andar uns quilómetros, pois eu não tenho carro…

O Gonçalo, nesse dia, preferiu ficar fechado em casa.

Quando a noite chegou, o Jeremias foi fazer o jantar: carne com couve lombarda e cenoura da horta.

O Gonçalo chegou-se à cozinha e reparou que quase tudo eram legumes, coisa que ele odiava!


Ainda protestou, pois não queria comer.
O primo fingiu não ouvir, mandou-o pôr a mesa e ele fê-lo de má vontade.
Por fim, sentaram-se à mesa e o primo serviu-o. Jeremias começou a comer enquanto Gonçalo ficou a olhar para o prato.

-Então, não comes? Prova, pelo menos – pediu-lhe o primo.

-Não gosto de legumes! Mas vou então provar, para lhe fazer a vontade...

Experimentou e afirmou:
– Isto está realmente bom… Tem que me ensinar a fazer este petisco.

-Estás a ver? Afinal, gostas! Eu tenho uma maneira especial de fazer os legumes… - disse o primo, com um ar gabarola. Mas realmente era verdade: o Jeremias cozinhava bem.

A seguir ao jantar, foram para o exterior, conversar ao fresco e à luz das estrelas.

Gonçalo estava instalado no quarto de hóspedes, onde havia uma boa cama e onde passou depois a noite, muito confortavelmente.

No dia seguinte, estava ainda escuro quando Jeremias saiu de casa, depois de deixar, na cozinha, o pequeno-almoço preparado para o primito.

Passado um pouco, aparece-lhe o jovem na horta. Com muito espanto do Jeremias, ele passou a manhã e a tarde toda a ajudá-lo. E para grande orgulho da mãe e do pai que logo souberam da novidade.

E assim aconteceu todos os dias, dali em diante.

Passaram depressa as férias do castigo do Gonçalo e os seus pais felicitaram-no muito, quando, por fim, o foram buscar.

No ano seguinte, o Gonçalo transitou, mas pediu aos pais para voltar para a aldeia, nas férias, pois gostara imenso de lá estar. Claro que foi sem levar aparelhos electrónicos – por sua vontade!»


Sabem como é que João Aguiar acabou a história?...


Não foi assim!... Havia lá uma coisa em casa do primo Jeremias que passou a ser a nova paixão do Gonçalo... Mas não podemos contar!...


Cláudio, Mário e outros, O prazer da leitura, Fnac/Teorema, 2008, 1ª edição


(Preço: € 4,00)






10.6.08

Versos e reversos

FARTA!

Estou farta de estudar
Quero aproveitar a minha vida
Não nasci só para estudar.
Quero passear
Quero falar
Quero viajar!!!

Pode até chegar
Um dia
Em que eu esteja farta de descansar
Mas agora
Estou mesmo farta de estudar
De horários e calendários
Quero descansar
Viver não é só trabalhar!!!

Joana Chaves

Ser modelo: universo de ilusão

Um mundo cheio de glamour, brilho, dinheiro, fama… é como normalmente se imagina a vida de um modelo, não tanto os modelos fotográficos, mas sobretudo aqueles que desfilam numa passerelle.
O mundo da moda é o sonho de qualquer rapariga: usar roupas de alta-costura, aparecer em capas de revista, conhecer gente famosa, enfim ser uma grande estrela!

Infelizmente, para se percorrer esse caminho, as coisas não são somente flores… Enganado está quem pensa que a profissão de modelo é fácil e só tem honrarias.Exige-se uma exagerada preocupação com a aparência física. Afinal o seu corpo e o seu rosto são os seus principais instrumentos de trabalho.

Existem milhares de garotas perfeitas querendo alcançar o mesmo objectivo. Por isso, todas odeiam todas. Há sempre um clima competitivo no ar. Quem tiver o corpo mais magro e mais bonito ganha o desfile… E quem o não tem, faz milhares de coisas para conseguir aquele papel. Dietas malucas, exercícios exagerados. Tudo por um sonho, nada pela saúde.

Nunca há um horário de trabalho certo. Viajar torna-se um hábito que os torna pessoas solitárias, muitas vezes em países cuja língua desconhecem.

Quando a fama bate à porta cedo demais, pode deslumbrar; quando a fama demora, a modelo pode ficar com a auto-estima abalada.

Muitas moças ganham num mês o que o pai ou a mãe ganham em dois anos. Mas o mundo da moda é um mundo cruel: hoje pode-se ser o alvo da moda; amanhã pode-se não passar de mais uma modelo. Ou de uma ex-modelo... Se se tiver sorte, a carreira pode durar quinze anos no máximo, pois qualquer modelo tem prazo de validade.

Eu conheço este meio, sei do que falo. E deixo um conselho: quem não estiver psicologicamente preparado para suportar tanta competição e tanto sacrifício será certamente mais feliz vendo desfilar os outros...

Mais: qualquer um que abrace esta carreira tem à mesma de estudar e preparar o seu futuro... na esperança de que este não seja tão duro!...


Ingrid Medeiros, 6º G


Nota: esta crónica da Ingrid, no fim de Abril, foi vencedora num concurso de crónicas da biblioteca escolar (Escalão A).
PARABÉNS!
Esta e outras crónicas podem ler-se no blogue: www.bibliotecaxcompanhia.blogspot.com

Todo o tempo é de poesia

TUDO AO CONTRÁRIO

O menino do contra,
Queria tudo ao contrário
Deitava os fatos na cama
E dormia no armário.

Das cascas dos ovos
Fazia uma omelete;
Para tomar banho
Usava a retrete.

Andava, corria,
De pernas para o ar;
Se estava contente
Punha-se a chorar.

Molhava-se ao sol
Secava-se na chuva
E em cada pé
Usava uma luva.

Escrevia no lápis
Com um papel;
Achava salgado
O sabor do mel.

No dia de anos
Teve dois presentes:
Um pente com velas
E um bolo com dentes.

Luísa Ducla Soares, Poemas da mentira e da verdade







CASAMENTO

Casei um cigarro
Com uma cigarra
Fizeram os dois
Tremenda algazarra


Porque o cigarro
Não sabe cantar
E a cigarra
Detesta fumar

Não digam que errei
(mania antipática!)
Só cumpri a lei
Que manda a gramática.

Soares, Luísa Ducla, Poemas da mentira e da verdade

Poemas escolhidos e transcritos por Rafaela e Joana



FANTASIA

Na colcha antiga de chita
Pássaros e flores bordados
Muito falavam e riam!


E quando a menina acordava
Ouvia risos e vozes,
Não sabia de onde vinham

Um dia a mãe da menina
Guardou essa colcha antiga
Numa arca bem fechada

E quando a menina acordava
De noite sentia medo
Porque não ouvia nada

Maria Alberta Menéres


AMIGO

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra “amigo”

Amigo é um sorriso
De boca em boca
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

Alexandre O´ Neill


TEMPO DE POESIA

Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa de manhã
À névoa do outro dia
Desde a quentura do ventre
À frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia.

António Gedeão

Poemas escolhidos e transcritos por Patrícia e Tatiana



PERGUNTA-ME

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser

se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer.

Mia Couto


in INÊS Pupo, 101 poetas, Caminho

Seleccionado e transcrito por Rúben e Joviano



19.5.08

Cinco versos de Teresa Guedes


«Gota... brisa... folha... pólen...
...
Espreguiçadeira.... lago... prado... lusco-fusco...
...
Fofo.... miminho.... bombom.... pequerrucha...
...
Trovão... poço... vampiro... alçapão...
...
Cocuruto... salamaleque... chilique... carrapicho...»



Com estas palavras, que texto escreverias?
Ora tenta!...
Não desistas!!!

Algumas sugestões do 6º G:
«A brisa fresca solta a folha e dela cai uma gota de pólen.
Ao lusco-fusco no prado, deito-me na espreguiçadeira a ver o lago.
-Meu bombom, minha pequerrucha, dá um miminho ao teu fofo.
Ao abrir o alçapão, salta um vampiro, ribomba um trovão, mando-o para o poço.
Ele faz-me um salamaleque. Eu tenho um chilique.
Salta-me o carrapicho do cocuruto!»

Ângela


«Uma gota cai entre a brisa;
uma folha cai, o pólen levanta...
Ao pé do lago, uma espreguiçadeira;

a preguiça, ao lusco-fusco, no prado...
Ele é fofo, um miminho;

chama-me de bombom e pequerrucha...
No poço, um vampiro;

um trovão provoca o alçapão...
No cocuruto da cabeça, um carrapicho;

o salamaleque tem um chilique...»

Joana Chaves, Kamilla e Rafaela Pereira



Escuta agora a Autora:

Palavrear

Gota… brisa… folha… pólen…
Esvoaça a leveza.
Espreguiçadeira… lago… prado… lusco-fusco…
Pestaneja o descanso.
Fofo… miminho… bombom… pequerrucha…
Aninha-se a ternura.
Trovão… poço… vampiro… alçapão…
Solta-se o arrepio.
Cocuruto… salamaleque... chilique… carrapicho…
Estala a gargalhada.
E quando te magoas, disparas um palavrão?
Dizem que é uma palavra como as outras,
Derivada por sufixação, mas não é só isso, pois não…?!

Guedes, Teresa, Real… mente, Colecção Livros do Dia e da Noite, Caminho, 2005

12.5.08

Ateliê de escrita criativa

A D. Escrita é uma senhora…

Que gosta de ser ouvida e passada a limpo, em papel branquinho ou
em pergaminho... ou num teclado de computador...
Que quer muito ser afagada.
Que gosta de uma voz forte, firme e reconfortante.
A D. Escrita ensina a ler, a escrever, a brincar com as palavras e até mesmo a jogar com elas.
Ela espera histórias engraçadas, aventureiras, brincalhonas ou românticas... convites e recados... e cartas de amor...

Enfim, é a Dona Escrita!…

Rafaela Sofia Geraldo Pereira, nº19







A D. Escrita é uma senhora...

…Que nos conta histórias de encantar, de acção, romances, etc…
E também nos pode ensinar receitas... ou dar instruções para montar brinquedos...

Que nos manda notícias dos amigos e nos dá notícias do mundo.
É uma boa ajuda!...

E muito importante na nossa vida!

Joana Chaves


Textos passados por Rafaela e Patrícia

Oficina da Palavra, 2º Semestre
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NOTA: Este ateliê de escrita criativa não é criação minha. Conduzi-o reproduzindo um outro a que assisti, dias antes, na minha escola, na turma do 6ºC, promovido pela Drª Andreia Brites, Mediadora da Leitura.
O seu a seu dono! Ora vejam:
http://obichodoslivros.blogspot.com/2008/05/escrita-criativa-na-conceio-e-silva.html
Manuela Caeiro